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  • Roberta Figueiredo

Doença no Gênero Terror: A Possessão de Deborah Logan



Está cada vez mais difícil encontrar um filme de terror que vale a pena assistir em meio a tanta coisa trash que é lançada no mercado. No entanto, de vez em quando, encontramos aquela joia rara que nos entretem e, de alguma forma, tenta revitalizar o gênero explorando algum ângulo original.


Quando isso acontece, fica difícil não compartilhar um grande achado com outros fãs do gênero. Por isso, não posso deixar passar a oportunidade de falar sobre A Possessão Deborah Logan, que há alguns anos chegou a fazer parte do catálogo da Netflix, mas que agora, infelizmente, sumiu do mapa.


Não sei bem o porquê disso, espero que tenha sido algo envolvendo os direitos de exibição e não uma escolha criativa, porque esse filme está anos-luz à frente de muita coisa no catálogo do serviço.


Por estar sempre atrás de alguma nova ideia, realmente fiquei chocada ao ler a sinopse de A Possessão de Deborah Logan. Cheguei a pensar – como ninguém nunca pensou nisso antes?


A personagem que empresta seu nome ao título sofre de Alzheimer e depende da filha que, recentemente, voltou a morar com a mãe em razão da doença, assim podendo auxiliá-la em suas necessidades mais básicas. Por problemas financeiros as duas concordam em participar de um documentário feito por estudantes de cinema.


O filme se aproveita de alguns clichês já conhecidos pelo público como o uso da imagem estilo documental utilizada em filmes como A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project) e o sucesso espanhol, REC.; e o artifício de instalação de câmeras em vários cômodos da casa para captar qualquer acontecimento estranho, enquanto os personagens estão dormindo, algo que remete à franquia Atividade Paranormal (Paranormal Activity).


À princípio, Deborah (Jill Larson) parece relutante, mas acaba aceitando a pequena equipe de filmagem, os primeiros dias mostram o cotidiano de Deborah e, consequentemente, os sintomas do Alzheimer e como isso afeta a sua relação com a filha, interpretada maravilhosamente bem por Anne Ramsay – conhecida por suas participações em várias séries famosas, como House, e por seu papel coadjuvante na série de comédia dos anos 90, Louco Por Você (Mad About You).


A situação é realmente muito triste e você sente não só pela personagem, mas também por todos que são forçados a viver com essa doença, que, como é mostrado na história, afeta a todos os envolvidos e não só a pessoa acometida pela doença.


O tema faz parecer que o que está sendo abordado, primeiramente, não é uma história de terror, mas um drama familiar. Fica claro que o diretor de primeira viagem, Adam Robitel, gosta de “brincar” com a inserção de diferentes gêneros em uma mesma narrativa. Em certas cenas parece que realmente estamos assistindo a um documentário médico sobre a doença e o seu quadro de evolução.


A fantástica atuação de Jill Larson é o destaque de "A Possessão de Deborah Logan"

Como mencionei antes, o foco principal é a relação mãe e filha, e isso é crucial para fazer quem estiver assistindo se importar com o que acontece a Deborah e acreditar na possibilidade de sua salvação, pois, quando a situação começa a escalar, e as ocorrências vão cando cada vez mais bizarras e inexplicáveis o pensamento que passa pela cabeça de todos é: por que eles não se livram dela? O trabalho feito na construção da personagem foi excelente, algo pouco visto em filmes desse gênero, o que garante a simpatia do espectador por Deborah.


Apesar de algumas escolhas já manjadas pelo público, A Possessão de Deborah Logan mantém sua originalidade não só em relação ao enredo, mas também nas reações dos personagens aos misteriosos acontecimentos na casa. Não gosto de colocar spoilers nas minhas análises, mas não posso deixar de falar que esse foi o primeiro filme em que vi algum personagem raciocinar e chegar a conclusão: “isso aqui tá muito doido é melhor eu dar o fora”, não com essas palavras, mas algo muito perto disso, inclusive com alguns palavrões envolvidos.



Não quero entrar em detalhes sobre as cenas chocantes, talvez você tenha chegado aqui por causa delas, mas eu ainda acho que assistí-las dentro de um contexto é muito melhor. Quem está à procura de uns bons sustos e bizarrices nunca antes vistas, precisa assistir A Possessão de Deborah Logan.

TRAILER



** Esse texto é uma republicação de um texto escrito para uma versão antiga deste mesmo blog**

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